Segue mais uma publicação que escrevi tanto para este blog quanto para o Fotografia & Ensino, que trata do trabalho com flash em modo automático. Vale a pena conferir!

Copyright | B. Andreoli

O PRINCÍPIO
.
Já conversamos a respeito do trabalho com flash no modo manual, tanto direcionado para a frente quanto rebatido. Quando usamos o modo TTL, entretanto, será que não precisamos nos preocupar com nada? Ou será que há configurações da câmera que oferecem melhor performance?
A sigla TTL significa “through the lens“, ou “através da objetiva”. Esse nome dá uma ideia do mecanismo de funcionamento: uma medição automática da luz necessária é feita por tentativa, no momento em que um feixe de luz retorna à câmera, depois de ter sido rebatido no assunto. Esse feixe é liberado antes do feixe principal, muito rapidamente, e é praticamente imperceptível.
Portanto, o objetivo da função TTL é tornar o flash um recurso automático, que dispense o uso de cálculos envolvendo o número-guia e a distância ao assunto. No entanto, existem alguns cuidados que devem ser tomados.
.
ISO E ABERTURA
.
Em primeiro lugar, recordemos que a luz do flash não é capaz de iluminar absolutamente tudo o que está no ambiente. Embora uma maneira de tentar contornar esse fato seja rebatê-lo no teto (por uso do movimento basculante da cabeça do flash), o feixe de luz sempre atinge com maior eficiência um determinado ponto. Enquanto isso, por exemplo, o fundo de nossa cena pode acabar permanecendo no escuro. Por isso, é importante não regular a câmera com uma fotometria muito baixa – como, por exemplo, um ISO baixo (digamos, 100), ou uma abertura muito pequena (f/16, por exemplo). É preferível usar sensibilidades mais altas e aberturas maiores – salvo quando uma profundidade de campo mais extensa for imprescindível, naturalmente. Essa prática também ajuda a reduzir a potência média de saída do flash, aumentando sua vida útil e reduzindo o consumo de pilhas.
Na prática, não é incomum encontrar fotógrafos de eventos usando sensibilidade ISO na casa do 1600. Embora possa parecer um absurdo para alguns, já que altos ISOs tendem a aumentar o nível de ruído nas fotos, temos de levar em consideração que toda a luz que falta no ambiente é compensada pelo flash. O ruído aparece muito mais nas baixas luzes, mas onde há luz suficiente, seu efeito não é muito pronunciado. Qualquer redução na qualidade costuma ser compensada com a iluminação mais abrangente que esse tipo de configuração permite.
SINCRONISMO
.
Outro ponto importante é a velocidade de sincronismo. Dada a velocidade de um raio de luz, a princípio, não precisaríamos nos preocupar com velocidades de obturação. Entretanto, existe toda uma dinâmica de funcionamento para o flash: ele precisa receber o sinal da câmera, liberar eletronicamente o funcionamento de seus circuitos e, ainda, há um tempo até que a emissão de luz da lâmpada atinja seu pico.
AA029

Copyright | B. Andreoli

Assim, para que ocorra a correta sincronização entre a abertura e fechamento do obturador da câmera e o retorno do feixe de luz, não podemos usar velocidades muito altas. Existe uma velocidade-de-obturador-limite, que é chamada de velocidade de sincronismo. Seu valor costuma ser 1/200 s, mas é sempre bom consultar os manuais de sua câmera e de sua unidade de flash. Velocidades iguais ou menores do que essa (como, por exemplo, 1/60 ou 1/30 s) são, portanto, permitidas.

NÃO CONFIE CEGAMENTE

Um outro cuidado importante é ter em mente que a medição TTL é uma espécie de fotometria automática – e já sabemos que não é possível confiar cegamente em recursos assim. Embora muitas vezes o resultado com o TTL seja para lá de satisfatório, também há situações em que nossa foto acaba parecendo um pouquinho clara ou escura demais. Isso acontece, normalmente, por causa de grandes áreas escuras ou grandes áreas claras na cena, que podem “enganar” a medição, fazendo parecer que mais ou menos luz do que o suficiente é necessária. (Para entender melhor esses efeitos, consulte o post sobre modos de medição).
A solução encontrada pelos fabricantes para contornar esse último problema é oferecer uma “compensação de exposição“. Você pode ver, na imagem do topo, que o flash está configurado em TTL com compensação +2/3. Isso significa que este flash aplicará, à medição que fizer, uma parcela de 2/3 de EV, isto é, a luz do flash ficará 2/3 de EV mais forte do que a medição normal apontaria. Esse tipo de regulagem costuma ser útil quando há uma certa quantidade de altas-luzes vindo de encontro ao fotógrafo (como, por exemplo, um modelo posando em frente à uma parede branca). Naturalmente, também é possível fazer com que a compensação seja negativa, assumindo valores como -2/3 ou -1, por exemplo. Consulte o manual de seu flash para descobrir como sua compensação de exposição no modo TTL é ativada.
Anúncios

Um comentário sobre “Dica de fotografia: A prática do flash em TTL

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s