Os cursos e manuais de fotografia trazem sempre o princípio de funcionamento do obturador das câmeras, nem sempre, entretanto, trazendo qualquer tabela ou guia que relacione velocidades a tipos de movimentos na cena.

Como já disse, não sou muito adepto de fotos de movimento, mas, mesmo assim, é importante ter alguma noção das velocidades de obturação mais adequadas para cada situação. Assim, efetuei alguma pesquisa a respeito.

Cia Al'Aire Flamenca

Copyright | B. Andreoli

CONGELANDO A AÇÃO

A princípio, objetos estáticos não exigiriam limites mínimos de velocidade, uma vez que não se movem dali. Ainda assim, devemos atentar para duas coisas: nosso próprio movimento natural de seres humanos quando seguram alguma coisa e o movimento causado pela pressão sobre o botão disparador da câmera. Por causa disso, para evitar que seu assunto saia borrado (ou “tremido”), recomenda-se uma velocidade de obturação cujo valor se aproxime da distância focal da lente. Portanto, se estiver usando uma lente normal (f = 50mm), convém ajustar o obturador para, digamos, 1/60 de segundo, e se estiver com uma tele-objetiva de distância focal 85mm, convém fazê-lo para, por exemplo, 1/100 de segundo.

Já objetos em movimento pedem velocidades, muitas vezes, maiores do que essas. De acordo com o Guia Completo de Fotografia da National Geographic, para congelar um automóvel esportivo em movimento, 1/1000 de segundo basta, permitindo um pouco de efeito borrado nas rodas. Para congelá-lo totalmente, usa-se a velocidade de 1/2000 de segundo. Já para, por exemplo, fixar na imagem um maratonista enquanto corre, a velocidade de 1/500 de segundo já é suficiente. Para congelar skatistas no centro de São Paulo, certa vez, fiquei entre 1/250 e 1/500, e achei suficiente.

The Fujifilm Blog, em um de seus artigos, sugere as seguintes velocidades de obturação para congelar os objetos na foto: gotas d’água caindo de uma torneira, 1/2000; carros de corrida, 1/1000; ciclistas, 1/500; pessoas caminhando, pelo menos 1/250.

Sem título

do Instagram: b_andreoli 

ACOMPANHANDO A AÇÃO (“PANNING”)

A tradução do termo “panning” é algo como “balanço”, mas, para a fotografia, é quando acompanhamos um objeto em movimento com a câmera, mantendo-o na mesma posição do enquadramento enquanto ele se desloca. É uma técnica que produz fotos muito gráficas e interessantes, deixando o objeto principal “parado” enquanto o fundo aparece borrado.

Para fazer uma foto de panning, a velocidade de obturação deve ser reduzida. Quanto menor ela for, mais dramático o efeito de movimento. Uma sugestão é experimentar numa rua, apontando para os veículos que passam, e ir reduzindo a velocidade gradativamente até obter uma imagem que o satisfaça. Mas não se engane: congelar um objeto em movimento movimentando-se com ele não é tarefa fácil e exige treino; portanto, não desanime se não gostar dos primeiros resultados. Quando comecei a estudar fotografia, treinei bastante a técnica com carros que transitavam em ruas de bairro à velocidade de mais ou menos 50km/h, e os melhores resultados apareceram com obturação de 1/20 de segundo.

A recomendação de The Fujifilm Blog, no caso de panning, é usar as velocidades de 1/15 de segundo para, por exemplo, corredores e ciclistas e algo em torno de 1/60 de segundo para veículos em alta velocidade.

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