Será que o estudo da Arte é pertinente para quem estuda fotografia? Tenho certeza que sim. O que fez o homem pré-histórico nas cavernas de Lascaux há quinze mil anos foi transformar seu dia-a-dia em representações bidimensionais sobre uma superfície. Será que as razões que motivam essa atividade para ambas as épocas são tão diferentes?

Os artistas têm sempre algo a expressar. E, assim, produzem obras de toda sorte, que contém um significado expressado através da Forma: equilibradas linhas horizontais, transcendentes traços verticais, curvas dinâmicas e sensuais, instáveis sequências intermitentes; além, é claro, de cores, quentes e frias, opostas e análogas.

Dentre os elementos da Forma, a cor é a que mais afeta os sentidos, podendo trazer variedade ou unidade à obra. Eugène Delacroix refere-se às cores em seu Diário como a música dos olhos, isto é, elementos de harmonia, como notas musicais numa escala. Ainda, o psicólogo alemão Wilhelm Wundt (1832-1920), determinou a “Temperatura das Cores”, segundo as sensações de calor ou de frio, donde as “cores quentes”, as quais transmitem sensação de calor, estão associadas ao intenso e vivo. Por outro lado, as chamadas “cores frias”, associadas à unidade e ao frio, correspondem à introspecção e tranquilidade.

Roda de cores. As cores frias encontram-se à esquerda, enquanto as quentes, à direita do círculo. (http://www.co-bw.com/GraphicDesign_Color_Theory_and_Color_Wheel.htm , licença Creative Commons)

Os pintores Impressionistas, movimento surgido ao final dó século XIX (na chamada Belle Époque), exploraram o recurso de cores complementares, somado ao jogo de luz e sombra.

“Femmes au jardin”, 1867, de Claude Monet.  (https://pt.wikipedia.org/wiki/Femmes_au_jardin , domínio público)

Cores complementares são cores que estão em posições opostas na roda de cores. Observe, por exemplo, que o amarelo é oposto ao violeta, e que o azul é oposto ao laranja. Pode-se lançar mão dessas e de tantas outras combinações complementares para trazer efeitos específicos ao conjunto. Também tem sua validade, entretanto, combinar cores análogas, que são cores vizinhas no círculo – digamos, amarelo e laranja.

Ficheiro:Paolo Uccello 023.jpg

Paolo Uccello, pintor da Renascença, utilizou-se de cores análogas, como o amarelo, o laranja, o marrom e o vermelho nesta unidade central de seu tríptico “Batalha de São Romão”. (https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/08/Paolo_Uccello_023.jpg , domínio público)

 A foto da esquerda é um exemplo do uso de cores análogas: temos o laranja, o vermelho e o amarelo em diversas posições, contribuindo para a unidade na fotografia. Já à direita, tem-se o contraste do laranja avermelhado (red orange) com o azul claro (chamado de blue green na roda de cores). (Copyright | B. Andreoli)


Fontes:

David Lynch, “Guia da fotografia a cores”, Martins Fontes.

E. H. Gombricht, “A história da arte”, LTC.

Graça Proença, “História da arte”, Ática.

Duílio Battistoni Filho, “Pequena história da arte”, Papirus.

http://www.todamateria.com.br/cores-frias/

http://www.co-bw.com/GraphicDesign_Color_Theory_and_Color_Wheel.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Femmes_au_jardin

 

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