Vamos parar para refletir um pouquinho sobre iluminação.

Quando eu era um jovem professor de fotografia na Focus, tinha somente uma Nikon F, mas muita vontade de aprender. E queria aproveitar cada oportunidade.

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Copyright | B. Andreoli

Geralmente munido de um filme branco e preto de ISO médio (tipo Tri-X, por exemplo), eu procurava clicar modelos quando tínhamos tempo. Mas, para aproveitar um pouco mais, comecei a dar alguns cliques entre os cliques de alunos; e, enquanto os aprendizes tinham suas câmeras sincronizadas com as tochas do estúdio por meio de cabos de sincronismo, eu só tinha mesmo uma câmera solta esperando pelo próximo flash. “Nossa, então você clicava no momento exato em que cada flash disparava?”, você vai perguntar. Respondo: mais ou menos.

 Se você estiver atento e com as configurações corretas em sua câmera, não é tão difícil conseguir resultados interessantes aproveitando-se de flashes não sincronizados. A técnica é chamada de “Flash aberto” ou “Open flash”. Considere: o estúdio está escuro; praticamente a única fonte de luz é o próprio flash que dispara em momentos específicos. Se você deixar sua câmera em modo bulb (B), isto é, configurá-la de forma que ela fique com o obturador aberto pelo tempo em que você estiver apertando o disparador, você não terá problemas para impressionar seu filme ou sensor com aquela imagem; basta que você aperte o disparador antes do flash e solte-o logo depois.

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Copyright | B. Andreoli (conforme mostra a marca d´água meio brega)

No caso desta foto, há um fator adicional. Além da luz dos flashes, também havia a luz-guia dos mesmos. Luz-guia é uma lâmpada que fica acesa o tempo todo e que também provém das tochas de estúdio, para que a direção dos feixes possa ser estudada e modificada com precisão antes que se faça cada foto. É por causa delas que há uma certa sensação de rastro de movimento – provavelmente eu movi um pouco a câmera enquanto a deixava “aberta” para a luz do flash. Ou seja: se quiser evitar o efeito, trate de arranjar um tripé, ou garanta que a única luz que atinge seu assunto seja a do próprio flash.

É possível controlar a entrada de luz-guia por meio da abertura do diafragma? Sim, é claro. O problema é que a abertura influencia também a luz do flash, de forma que, se você fechar a abertura, a foto como um todo pode ficar subexposta. Com relação ao ISO, é a mesma coisa: ele funciona para qualquer tipo de luz, tanto o flash quanto a luz contínua. Por isso, para que você evite esse efeito borrado de movimento, você deverá fazer com que a luz contínua (como a luz-guia, por exemplo) tenha a menor intensidade possível comparada à intensidade do flash (e, é claro, deixe o obturador aberto pelo mínimo tempo possível, para evitar ao máximo a exposição à luz contínua). É a única maneira. Por outro lado, se quiser que esse efeito apareça, como na foto acima, você deve tentar aumentar a exposição de seu filme ou sensor à luz contínua, deixando, por exemplo, o obturador aberto por mais tempo. (Lembre-se: o tempo de obturação não altera a intensidade do flash.)

Não deixe de conferir este post e, então, este aqui, que versam sobre o trabalho básico com flash. Para começar a entender iluminação de estúdio, dê uma olhada neste post sobre iluminação básica.

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